A amarga verdade sobre o açúcar.

A época natalícia faz as delícias de miúdos e graúdos. Afinal quem não se delicia com as belas das rabanadas, as filhoses, o bolo-rei, os sonhos, o arroz-doce, a aletria, as azevias ou o tronco de Natal?! E estes são apenas alguns, porque a nossa gastronomia não poupou esforços no que diz respeito a doces natalícios. Não há como negar: Natal é sinonimo de “perdição”.

Não há como resistir a uma mesa repleta de coisas boas. O problema é que muitas dessas coisas – entendam-se os doces – de saudável têm muito pouco. A pensar nisso (e na sua saúde, claro!) decidi escrever este texto pelo menos para que possa controlar a quantidade que ingere de açúcar ou que deixe a ingestão desta substância viciante para dias de festa.

Vou começar por definir alguns termos. Qual é exatamente a diferença entre açúcar de mesa, açúcar da fruta, o xarope de milho com alto teor de frutose? Boa pergunta. A frutose é um açúcar natural que existe na fruta ou no mel. O açúcar de mesa é aquela substância granulada que pomos no café ou juntamos aos ovos para fazer um bolo, é uma combinação de glicose e frutose, tendo o nome técnico de sacarose. O xarope de milho com alto teor de frutose, que se encontra nos refrigerantes, sumos e outros alimentos processados, é uma combinação de frutose, glicose e outros hidratos de carbono. O xarope de milho foi introduzido em 1978, sendo um substituto barato do açúcar.

Vamos pensar na evolução ao longo dos tempos em relação ao consumo de açúcar. O açúcar só estava disponível para os nossos antepassados na fruta ou no mel, produzido pelas abelhas. Mas nos últimos anos, o açúcar é adicionado a quase todos os alimentos processados. O consumo de açúcar triplicou nos últimos 50 anos. O açúcar total consumido diariamente é composto tanto pelo açúcar de mesa, como pelo utilizado na preparação de refeições e os açúcares adicionados aos alimentos, refrigerantes e bebidas prontas para consumo, além do mel, xaropes e sumos de frutas com adição de açúcar. Boa parte dos açúcares consumidos está “escondido” em alimentos processados, como refeições prontas, temperos, molhos industrializados e refrigerantes.

O cidadão comum médio come em média repugnantes 58 kg de açúcar por ano, ou 150 gramas por dia! Inacreditável. Isto mostra que a maioria das pessoas não respeita o seu corpo pois sabemos que o consumo de açúcar pode ocasionar um aumento de pressão arterial, aumento de colesterol em particular o LDL (chamado o mau colesterol), risco de insuficiência hepática, obesidade, doenças cardíacas, demência, cancro e diabetes, e mesmo assim continuamos a ingerir quantidades exageradas de açúcar diariamente.

A nova proposta da OMS (Organização Mundial de Saúde) é que o consumo de açúcar represente menos de 5% da ingestão energética total, o equivalente a apenas 25 gramas (ou seis colheres de café). Essa nova proposta foi formulada com base em análises de estudos científicos sobre a relação entre o consumo de açúcares e o ganho de peso em adultos e crianças, além do surgimento da cárie dentária e do risco para desenvolvimento de diabetes.

Em Portugal surgem 160 novos casos de diabetes por dia, o que revela bem a dimensão da potencial catástrofe que temos em mãos, ainda mais quando sabemos a relação que existe entre diabetes e risco de declínio cognitivo como por exemplo a doença de Alzheimer, isto tem mais incidência nas pessoas que não controlam a diabetes.
Os cientistas já comparam o açúcar com o tabaco, drogas e o álcool porque é uma substância muitíssimo viciante.

O melhor é satisfazer a nossa gulodice com frutas naturais e frescas e com vegetais, que não só nos fornece hidratos de carbono, mas também vitaminas e minerais indispensáveis para a prevenção de doenças.
Tal como Oprah Winfrey disse uma vez: “Ouçam o sussurro do vosso corpo antes que ele se transforme num grito.”

2018-01-09T12:10:48+00:00