Açúcar e Sal – Os Rufias da Alimentação.

Já os nossos antepassados (2000 a. C.), usavam o sal como forma de conservar carne, peixe, vegetais e para preparar iguarias como azeitonas salgadas, tornando assim a alimentação mais diversificada. O sal ou sal de cozinha, quimicamente designado por cloreto de sódio, é constituído por dois minerais: o sódio e o cloro. Dois minerais essenciais ao normal e saudável funcionamento do nosso organismo, mas o consumo excessivo, em particular do sódio, acarreta inúmeras consequências para a saúde, por isso é essencial fazer um uso cuidado deste tempero.

Em 2003, a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura recomendaram um consumo máximo diário de cloreto de sódio inferior a 5mg por dia (meia colher de chá de sal).

Além do papel de conservante, o sal melhora o sabor dos alimentos, por isso está por toda a parte. Os fabricantes têm consciência disso e enchem os produtos alimentares de sal.

Quase todos os alimentos processados contêm açúcar e sal. Não estou apenas a referir-me aos doces nem às óbvias batatas fritas. Ambas as substâncias são viciantes, quanto mais nos expomos a elas mais as queremos. Mas hoje não vou falar sobre o açúcar pois já falei nele no artigo “A amarga verdade do açúcar”, que aconselho a ler. Hoje vou falar sobre o sal.

A ingestão abusiva de sal proporciona geralmente um aumento da pressão arterial, que se traduz num aumento da prevalência de doenças cardiovasculares, que são a maior causa de morte e incapacidade no mundo. Por outro lado, este consumo abusivo aumenta o risco do aparecimento de determinados tipos de cancro (exemplo: estômago); sobrecarrega o funcionamento renal (há um maior esforço feito pelo rim para excretar o excesso de sódio) e ocorre uma maior retenção de líquidos pelo organismo, o que origina aumento de peso e contribui para o aparecimento de celulite.

O consumo excessivo de sal pela população é um dos maiores riscos de Saúde Pública ao nível mundial, tornando-se urgente propor medidas para a sua redução.

A ingestão de sal na maioria dos países da região europeia da OMS está muito acima do valor sugerido. Existe um objetivo global de reduzir a ingestão de sal da população em 30% até 2025.

Em Portugal verifica-se uma ingestão de sal de cerca do dobro do máximo admissível, com uma média de 10,7g para a população adulta.

As fontes alimentares de sal provém cerca de 12% naturalmente dos alimentos e cerca de 77% provém de alimentos processados. Os restantes dividem-se em cerca de 6% adicionado à mesa, 5% adicionado na confeção e menos de 1% na água potável.

Em 2009, no nosso país, foi publicado legislação que regula a adição de sal no pão, impondo um teor máximo de 14g de sal por quilograma de pão.

Em Portugal, o programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), para além do compromisso com a indústria alimentar e com o sector da restauração, tem também trabalho em estreita parceria com o Ministério da Educação para uma menor oferta de sal nas refeições escolares e na redução da oferta de alimentos com teores elevados de sal disponibilizados nos bufetes escolares.

Na prática como podemos reduzir o sal na nossa alimentação?

Deve verificar os rótulos dos alimentos, como por exemplo o pão, cereais de pequeno-almoço, barras de cereais, alimentos pré-confecionados, sopas instantâneas, caldos industrializados de carne, peixe ou legumes, rissóis, croquetes, pizzas, etc…, não compre alimentos com valores de cloreto de sódio superiores a 0,6g por 100 gramas de alimento.

A lista de ingredientes deve ser analisada e ter em atenção aos ingredientes como glutamato monossódico e o bicarbonato de sódio, estes acrescentam quantidades significativas de sódio aos alimentos.

Diminua gradualmente a quantidade de sal que adiciona na confeção, no tempero dos alimentos e não leve o saleiro para a mesa.

Na confeção dos alimentos, substitua o sal por ervas aromáticas, especiarias, vinho ou sumo de limão. Poderá deixar a carne ou o peixe a marinar umas horas antes de os confecionar.

As ervas aromáticas são muito utilizadas em saladas, sopas, marinadas, carnes, peixes, entre outros preparados e a sua utilização pode influenciar a sua saúde pela redução da quantidade de sal nos alimentos.

Evite alimentos ricos em sal como por exemplo, produtos de salsicharia, charcutaria, alimentos fumados, sopas instantâneas, caldos concentrados (carne, peixe ou legumes), salgadinhos (rissóis, croquetes, etc…), alimentos enlatados, molhos como maionese, ketchup, mostarda, etc…, queijos mais salgados, refeições congeladas, batatas fritas e outros aperitivos, água gaseificada, azeitonas, etc…

Se conseguíssemos reduzir a ingestão de sal para 5 mg/dia evitaríamos cerca de 6000 mortes por ano. Assim qual a coisa mais inteligente a fazer? Mais uma vez a saúde está nas suas mãos.

2018-01-09T10:59:25+00:00